Eu não sei quem eu sou, mas sei que minha cama tem o espaço suficiente que o meu corpo necessita, sei que meus sapatos já aderiram a anatomia dos meus pés, sei que minhas roupas infiltraram o meu cheiro, sei que minha estante têm livros que falam meu idioma.
Não sei quem ainda sou, mas minha caixa está cheia de papéis e objetos com minhas memórias.
Como se eu saísse do meu corpo, consigo observar tudo ao meu redor e enxergar uma existência, como Ulisses ao ouvir sua própria história ser contada.
Eu, porém, vivo.
Como um fantasma ao repetir as mesmas ações e falar sobre as mesmas coisas.
Ando sozinha, mas não sou solitária.
Não sei quem serei, mas os móveis continuarão na mesma disposição e a cor das paredes não mudarão. Meu cabelo vai embranquecer, minhas rugas aparecerão. Terei falas nostálgicas e ficarei mais conservadora? Não sei. Mais desiludida? Com certeza.
Assim como eu, o mundo muda. Ele me ensina a conhecer o novo e deixar velhas ideias para trás.
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