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domingo, 8 de abril de 2012

Meu sonho

Eu podia te olhar pessoalmente no meu sonho
Eu podia te tocar no meu sonho
Eu podia trocar sorrisos com você no meu sonho
Eu podia te beijar no meu sonho
Eu podia te amar no meu sonho
Eu podia te ter no meu sonho
O que eu esperava na realidade, você fez no sonho
E são sonhos como esses que me fazem afirmar que pesadelos são menos dolorosos.

Juntamente separados

Astro iluminado
Reflexo do sol
Pedaço da Terra

Marés. Estações
Cheia, minguante
Eclipse. Satélite
Nova, crescente.

Para mim é só a lua
Você a estuda
Eu a contemplo

Bonita. Romântica
Única coisa que podemos compartilhar
Aonde quer se estejamos
Sei que podemos,
juntamente separados,
a observar.

sábado, 24 de março de 2012

Garota ruiva

Ela tinha cabelos vermelhos e roupas pretas. Ela nunca esteve naquela casa, mas em uma noite ela se encontrava em frente a ela, do lado de fora, discutindo com alguém no celular.
Qualquer um que visse essa cena pensaria que ela simplesmente estava em frente a uma casa, mas os moradores da rua a viram entrando e estranharam. Justo aquela casa?
Quem morava lá era um doce velinha que adorava flores; e isso era nítido, já que a casa era cercada por elas. Ela recebia seus dois ou três netinhos quase todos os dias, e dava para perceber que os amava muito.
Passaram-se os dias e em quase todas as noites lá estava à ruiva, fora da casa, no celular. Era um contraste e tanto. Dava para ver nitidamente que ela não pertencia a aquele lugar.
 Alguns dos vizinhos ousaram fazer o perfil da garota, e boas coisas não vieram à tona. Mas, como não ser preconceituoso? Que raios essa garota estava fazendo naquela casa? E do nada? Poderia ela ser filha da doce velinha? Mas como se ela já mora há bastante tempo lá e essa garota só apareceu agora?
E com o tempo os comentários começaram a ficar piores. A curiosidade provocou  uma certa raiva da garota por parte dos vizinhos. Isso porque a garota começou a se mostrar cada vez mais rebelde aos olhos do vizinho: chegava de moto, ouvia rock pesado sem fone de ouvido e às vezes levava seus amigos para frente da casa onde eles fumavam: eles fumavam, ela não.
Os vizinhos com mais sede da verdade tentaram, discretamente, arrancar alguma informação da dona da casa, mas esta não disse nada que os interessassem.
E quase toda a noite, lá estava a garota, sempre fazendo algo curioso e ao mesmo estranho ao ver dos vizinhos. Até que um dia, ela se foi e eles conseguiram se concentrar em suas próprias vidas.

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Derrota

Estou lhe escrevendo pois estou preocupado com umas certas mudanças que estão acontecendo por aqui.
Você deve saber do que estou falando, mas mesmo assim faço questão de apontar alguns dos exemplos: eu posso interpretar a maneira que ela está o olhando; o pulmão começou a perder o fôlego cada vez que ele está presente -como se ele é tão novo e saudável?!- e você acreditaria se eu te dissesse que apareceram borboletas no estômago? Sim, borboletas! Ah, e não podemos nos esquecer do senhor, afinal de contas você não se acelera por qualquer um, não é mesmo?
Creio que você saiba disso pois também acho que você é o responsável por todas essas mudanças. Mas logo você? Não gostaria de mexer no passado e revirar feridas, porém eu também sou constituído por memória, se lembra? Pois bem, devo confessar que fiquei surpreso pois o senhor é o que mais sabe no que isso pode dar e no que já deu no passado... Também, como poderia se esquecer se as cicatrizes ainda estão presentes para o lembrar!
Voltando ao princípio, gostaria de te dizer que toda a vez que você tira o comando de mim e o assume, os resultados não são tão... bons. Contudo, não o culpo. Não poderia já que estou admitindo derrota. Ele também invadiu parte de mim! Eu não consigo parar de pensar nele, todos os momentos com ele foram arquivados na memória e agora a razão não tem força o suficiente contra este... ah!.... sentimento.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

A real história

E de repente eu me pego chorando em filmes de romance pelo motivo errado e observando casais no mundo real com um ar de respeito, como se onde eles tivessem chegado fosse a coisa mais difícil e rara do mundo - bom, pelo menos é para mim.
 Olho para eles e tento imaginar como eles chegaram a aquele momento:
-Será que foi como nos filmes?
-Menina ingênua.
-Quando isso vai acontecer comigo? – insiste a desesperada voz em minha mente
-Você é muito jovem ainda – responde a outra voz, do outro lado, tentando me tranqüilizar. 
Mas não é isso o que eu quero.
Isto poderia ser uma crônica. Eu poderia simplesmente fazer com que uma personagem estivesse andando na rua, pensando sobre isso e tentando com que a razão e a emoção dentro de si se conciliassem quando de repente ela esbarraria em uma pessoa e quando olhasse para cima veria um cara muito legal e charmoso como nos filmes em que ela assiste.
Com certeza ele iria perguntar o nome dela, se mostrar interessado, a chamar para sair e correr atrás dela, assim como ela fez com muitos rapazes no passado, mas que não obteve correspondência. Ela chegaria à conclusão de que uma certa voz estava certa, pois era só uma questão de tempo até encontrar a pessoa certa. E ela finalmente acalmaria aquele outro lado tão ansioso e romântico.
Mas não é. Esta é minha historia e meus sentimentos. Eu simplesmente cansei de escrever/pensar sobre momentos em que eu gostaria de passar e frases que gostaria de ouvir/dizer e colocar tudo dentro de uma narração, onde tudo acabaria dando certo, já que também é o que eu gostaria que acontecesse comigo.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Ele


Então eu o vi pela primeira vez, ele estava de costas, mas mesmo assim eu sabia que era ele. Ele estava sentado do lado de uma árvore, com uma camiseta verde musgo.
Todos os dias eu ia até ele e nós conversávamos.  Ele estava sempre do mesmo jeito e sempre no mesmo lugar, qualquer um que seja ele.
Era maravilhosa a ligação que nós criamos em tão pouco tempo e como nós conseguíamos nos comunicar tão perfeitamente. Porém, foram os momentos em que nós não dissemos uma palavra que me fizeram me apaixonar.
 Eu adorava ver seu sorriso tímido e olhar em seus olhos azuis e ver que eles estavam olhando para os meus. Não importava o que estava acontecendo ao meu redor, eu só conseguia prestar atenção nele, ele era o meu mundo. Eu me deixei tão de lado que nem me importava se ele me amava também, o importante é que eu o amava e que ele estava bem na minha frente.
Mesmo que eu tenha perdido o senso cronológico, eu sabia que aqueles dias tinham sido inacreditáveis, tenho que admitir que parecidos também, entretanto, cada um tinha um grande significado para mim, já que eu os tinha passado com ele.
O mais incrível foi quando eu percebi, através do ciúme, que ele correspondia ao meu amor. Porém, não tive tempo de dizer/fazer nada ou de até ficar feliz com esta informação, já que em como todo o sonho, tive que voltar a terrível realidade.

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Grande e fracassada fuga

Então eu decidi me mudar, ir para um país diferente onde quase ninguém falasse meu idioma, onde eu não visse as mesmas coisas todos os dias e onde eu não visse as mesmas pessoas todos os dias.  Eu iria esquecer todos os momentos em que eu me senti mal e de todas as pessoas que me fizeram sentir mal.
E ainda sim era uma boa fuga, pois seria temporária. Eu sabia que iria voltar ao Brasil, mas também sabia que só me recordaria dos bons momentos e das boas pessoas, aquelas que eu amei e que me amaram e aquelas que sempre estiveram do meu lado. O resto ficaria para trás, esquecido.
E eu fui, subi no avião e as únicas memórias que vinham a minha mente eram os sorrisos das pessoas queridas por mim.
Passei um bom tempo nos Estados Unidos, e nem cheguei a me perguntar e me avaliar se tinha comprido meu objetivo, pois pensem bem: você não se pergunta se esqueceu de algo que você esqueceu, então sim, eu havia apagado todas as impurezas do meu passado. Cheguei à conclusão que estava pronta para voltar enquanto estava andando por uma rua de uma das 13 cidades que eu morei neste país.
Pousei no Brasil e desci do avião me sentindo leve, completamente em paz. Foi como se eu nunca tivesse estado nesse país, mas mesmo assim conhecia as melhores pessoas daqui.
-Com licença, senhorita  – e foi com essa voz que tudo voltou: todos os momentos horríveis da minha vida, todas as pessoas más e os pedaços de meu coração que haviam se juntado na viajem. Não precisei me virar para saber quem era, conhecia sua voz de todas as maneiras: roca, fina, grave, quando estava doente, quando gritava, quando chorava, quando estava alegre e quando cantava.
Tudo era culpa minha, eu não poderia ter desejado esquecer todos os momentos inesquecíveis, mesmo eles sendo ruins. Eu queria esquecer de quem me fez mal e me lembrar somente de quem havia me amado e as que eu amei, porém havia esquecido que ele, quem me fez mal, foi quem eu amei e quem me amou.
Ele havia pensado o mesmo, foi no mesmo dia que eu e voltou no mesmo avião que eu. Era o destino, sem duvida. Me virei  e ele já estava lá preparado, já sabendo o que eu iria fazer, pois era o mesmo que ele. Depois desse dia aceitamos o fato de que não podemos nos separar e nem se esquecer da existência do outro.