“ o Kramer apaixonou-se por uma corista que se chamava Olga. por algum motivo nunca conseguiam encontrar-se. ele gritava passando pela casa de Olga, manhãzinha (ela dormia): Olga, Olga, hoje estou de folga! mas nunca se viam e penso que ele sabia que se efetivamente se deitasse com ela o sonho terminaria. sábio Kramer. nunca mais o vi. há sonhos que devem permanecer nas gavetas, nos cofres, trancados até o nosso fim. e por isso passíveis de serem sonhados a vida inteira.”
Porém, sonhar é mais dolorido. Às vezes é preciso acabar logo de vez, porque de nada importam os sonhos se não virarem realidade.
Desistir ou não? Posso perder mais do que ganhar, já que talvez algo realmente tenha mudado. Mas também sei que no fundo a única coisa que pode ter mudado foi a desobediência a minha própria lei de não esperar para não se frustrar.
Então, mostre-me que você não é quem eu estou pensando, que você não é tudo o que eu sempre sonhei. Mostre-me seus defeitos para que eu ignore as qualidades. Porque assim seria mais fácil para mim.
Ou melhor, diga o que eu quero ouvir: diga que me ama. Diga que quer ficar comigo. Diga que quer me encontrar agora e que se cansou de esperar.