Todas as músicas que ouvi, todos os poemas que li, todas as peças que assisti. Tudo o que sei, tudo o que aprendi, tudo o que vou descobrir. Tudo o que planejei, tudo o que vivi, todos os caminhos que escolhi traçar. Todos os acasos, tudo o que escapou do meu controle, todos os passos às cegas. Todos os meus avanços, todas as minhas dificuldades, todos os meus interesses. Todas minhas paradas, todos meus devaneios, todos os meus descansos Tudo o que conversei, tudo o que pesquisei, tudo o que concordei. Tudo o que rejeitei, tudo o que me esquivei, tudo o que detestei. Todos os meus anseios, todas as minhas vontades, toda a minha vocação. Tudo me levou a você, tudo me leva a você e tudo continuará me levando a você.
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segunda-feira, 12 de setembro de 2016
quinta-feira, 18 de agosto de 2016
Acho que um dia posso enlouquecer. A loucura me parece uma consequência quase inerente a uma existência quase que fundamentada pela busca dos sentidos que já foram ou ainda estão esperando para serem descobertos.
Ora, eu creio que no fundo nem tudo tem uma explicação, mas essa afirmação me soa mais como desafio do que consolo.
Então a cada inquietação meu corpo entra em tensão e perturbado pula nas águas profundas como se buscasse no fundo do oceano respostas de todas minhas perguntas.
Mas aí você me apareceu. De início pareceu um reflexo, uma ilusão, que aos poucos foi ficando nítido. Eu não sei de onde, não sei quando, não sei como. Mas você veio. Talvez da superfície, me estendendo a mão e me convidando a respirar (inspirar e expirar). E desde então não consigo desviar meus olhos de você pelo puro prazer que isso faz a eles e ao meu coração. Coração que é sim um órgão, mas que no sentido figurado e totalmente abstrato abriga minhas emoções novas ou resignificadas tendo somente você como premissa e referência.
Eu tenho meus motivos, claro, uma vez que fazer análises e montar argumentos é um caminho quase que sem volta para os que já se iniciaram de alguma forma nas ciências. Mas o cerne da questão é que eu deixo de lado todas minhas teorias, perguntas e questionamentos para te olhar, te sentir, te tocar. Eu aceito, eu vivo, eu agradeço a soberania divina por ter feito nossos caminhos se cruzarem. Nada mais importa quando você me abraça e assim acalma minha mente ansiosa que fica serena ao encontrar seu corpo.
Mas, se mesmo assim, a loucura um dia chegar a mim, se ela bater a porta, se eu for obrigada a mergulhar de cabeça nela, você poderia me acompanhar? Porque, desculpas, mas não posso me imaginar sem você em qualquer coisa que for me acontecer.
/ loucura é ficar sem você
quarta-feira, 13 de julho de 2016
Dada a inclinação da Terra, por um fenômeno astronômico raro, há meses só era noite em meu quarto. Eu gostei, me acostumei e estava bem com isso. Via como natural: a vida se consiste por fases. O que não espera eram os fechos de luz que, através de pequenas frestas da minha janela, timidamente começaram a entrar em meu ambiente reservado. Isso não me causou náuseas, raiva ou mau humor. Nem fez meus olhos arderem ou se fecharem. Apenas me causou curiosidade até que, em um processo razoável de tempo, me senti confortável em aos poucos abrir a janela para descobrir o que se escondia do lado de fora. Como se a luz quisesse ser gentil, não entrou bruscamente sobre meu quarto sombrio. Como se soubesse lidar comigo, esperou. Respirei e senti que com a claridade também vinha a brisa. E numa ânsia e súbita paixão desejei ser invadida em cada parte do meu corpo pelo brilho que combinou tão bem com minha pele agora aquecida, como se eu tivesse passado a morar em um abraço.
/ Loukanós
terça-feira, 21 de junho de 2016
De manhã, sai da minha casa que estava sombria. Na rua, o ar entrou facilmente em minhas narinas. Ao meu lado, uma senhora consegue aquecer os seus pés. A minha frente, o bebê da moça cresce imperceptivelmente a cada minuto. Fora do ônibus, um cãozinho dá quinze voltas em torno de si mesmo. Em algum lugar, você tranquilamente respira e pensa, quem sabe, em mim. No segundo dia do inverno, meu coração se aquece.
Meus irmãos, a vida é bonita, a morte não é natural e já está vencida.
/ segundo dia do inverno
terça-feira, 31 de maio de 2016
Não entre
Eu deveria ter vergonha de te dizer que não arrumo meu quarto tem uns meses. Deixei no canto coisas para fazer em alguma data não prevista ainda, mas que certamente chegará mais cedo ou mais tarde. Meus cachorros continuam latindo pela manhã (e pela tarde, e pela noite...) e você se incomodaria, eu sei. Meu pai continua o mesmo e não há revolução que o mude. Talvez se você entrasse em casa agora eu não teria o que te servir, o banheiro estaria sem toalhas para você secar as suas mãos, os lençóis, muito velhos, mal caberiam nos atuais colchões, embora não sejam tão novos assim. Provavelmente teria pó nos móveis da sala que eu não tive tempo de tirar e a internet teria grandes chances de não estar funcionando. Eu deveria me envergonhar, eu deveria me incomodar, eu deveria me preocupar. Mas sabe o que é? Eu estou bem sem te receber. Eu estou bem em não estar preparada para você chegar, em somente me receber e me hospedar. Eu não preciso provar nada para mim mesma. Eu sei onde ficam os cobertores e sei que provavelmente eles estão com cheiro de guardado, mas eu não ligo. Eu sei que estou conquistando o que sempre quis, eu sei que cada vez mais consigo ler mais clássicos, consigo falar mais idiomas, consigo encontrar as roupas que tem a ver comigo, consigo dominar certos assuntos. E eu não preciso te contar isso e esperar que você me veja como alguém grandinha para o acompanhar. Não preciso da sua estrelinha. Também sei que poderia estar mais próxima de Deus, que posso virar uma acadêmica solitária, que preciso me socializar mais. Mas, bom, o peso das minhas escolhas eu consigo aguentar e não preciso que você me aponte o que está errado em mim em alguma discussão na qual, para vencer no debate, você exporia minhas feridas. Então não precisa bater à porta, não precisa criar esperanças ou desejos em relação a mim. Eu consigo me sentir acolhida em minha própria bagunça e não preciso fingir ou me esforçar em ser alguém bom o suficiente para você, até porque isso eu sempre fui, muito facilmente inclusive.
segunda-feira, 30 de maio de 2016
O amor como eu pensei não existe
é uma falsa representação da realidade
é uma idealização minha
é uma tentativa de materialização de outrém
Não é compartilhado
Não é eterno
Não é libertador
O único amor é
simplesmente é
sempre foi e sempre será
O universo é maior que o homem
e ninguém é obra de um só alguém
somente somos criaturas do único criador
portanto,
se existo e minha existência é assim
não é devido a alguém
é somente por causa do eu sou
é uma falsa representação da realidade
é uma idealização minha
é uma tentativa de materialização de outrém
Não é compartilhado
Não é eterno
Não é libertador
O único amor é
simplesmente é
sempre foi e sempre será
O universo é maior que o homem
e ninguém é obra de um só alguém
somente somos criaturas do único criador
portanto,
se existo e minha existência é assim
não é devido a alguém
é somente por causa do eu sou
sábado, 30 de abril de 2016
now it's alright
then, we are a lie
our old love died
and if you write
i'll tell you what
it's been inside
of my free mind
an opinion of mine
i won't say twice
in vain i tried
my heart was tight
now i realized
that i was blind
but i will not cry
'cause i'm alive
so full of life
so fucking fine
ready to restart
then, we are a lie
our old love died
and if you write
i'll tell you what
it's been inside
of my free mind
an opinion of mine
i won't say twice
in vain i tried
my heart was tight
now i realized
that i was blind
but i will not cry
'cause i'm alive
so full of life
so fucking fine
ready to restart
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