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sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tua doce voz me chama pelo nome
Diz que eu sou a mulher dos seus sonhos
Eu toda encantada e derretida respondo
Eu quem tive tanta sorte

Teu hálito quente me convida a experimentar
Igual o seu sabor não há
Quero saber o que mais tem por aí
E para descobrir eu espero até o fim

Tua pele macia me toca e me abraça
Já fiz dela a minha casa
Seus braços me dão proteção
E eu te dou a minha mão

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Me faz parar
Me faz parar de pensar
Me faz parar de pensar agora

Só quero sentir
Só quero te sentir

O mundo já me faz pensar
Pensar demais
Não quero mais
Me faz sentir

Insegurança demais
Me segura mais
Tira de mim o peso
Só coloca o teu peso

Não quero nada na minha cabeça
Não quero nenhuma ideia entrando
Quero só você adentrando
Por toda a parte

Quero sentir
Você
O seu corpo
No meu corpo
O meu corpo
O que você provocar

Que nada lá fora perturbe
Que não haja lá fora
Que só tenha o interior
Você no mais interior

Sua pele
Seu hálito
Seu cheiro
Que você seja tudo o que eu sinta
De baixo para cima

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Eu gosto do sol, da luz, do calor. De me sentir aquecida no frio. De um banho quente após a chuva. De secar os cabelos para dormir. De como você me abraça. De como me aquece e me faz transpirar. De quando a sua mão quente toca a minha pele descoberta. De como nossos suores se misturam. De como você dirige a minha cintura. De como me faz desarmar e me leva a loucura. Nesse balanço me sinto tonta, mas seu corpo serve como suporte e não me deixa me perder. Seus braços me enlaçam e dão nó, prendem-nos ainda mais um ao outro. Nossas mãos não se desgrudam nem por um segundo, a não ser quando escapam e percorrem o corpo alheio em busca de tocar cada poro do outro. Matamos assim toda a distância que nos separa e quase nos tornamos um só. Não tenho medo do futuro, porque sei que você estará lá, cada vez mais perto, cada vez mais em mim. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Deixei esse poema de lado, descansando, crescendo, conforme o seu tempo. Adubando, respirando, fazendo fotossíntese, criando sua linguagem. Digerindo-se, encontrando-se, perdendo-se, se necessário. Eu não o esqueci, mas o deixei tomar sua forma por si só. Dei espaço, dei tempo, dei autonomia. Quando me dei conta já tinha criado pés, mãos, braços e pernas. Já não tem versos, já não tem rima, não sei mais o que é. Formou seu próprio rosto, sua própria identidade, seu próprio corpo. Tem gírias, tem cheiros, tem dentes que me mastigam e me devoram, mas não me digerem e me fazem voltar. Me rumina, me domina. Me coloca onde bem entender, faz de mim o que quiser. Não sei se sou vítima, se sou culpada, se sou estúpida, mas fico porque quero. Ou porque ele me faz querer ficar.

segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Todas as músicas que ouvi, todos os poemas que li, todas as peças que assisti. Tudo o que sei, tudo o que aprendi, tudo o que vou descobrir. Tudo o que planejei, tudo o que vivi, todos os caminhos que escolhi traçar. Todos os acasos, tudo o que escapou do meu controle, todos os passos às cegas. Todos os meus avanços, todas as minhas dificuldades, todos os meus interesses. Todas minhas paradas, todos meus devaneios, todos os meus descansos Tudo o que conversei, tudo o que pesquisei, tudo o que concordei. Tudo o que rejeitei, tudo o que me esquivei, tudo o que detestei. Todos os meus anseios, todas as minhas vontades, toda a minha vocação. Tudo me levou a você, tudo me leva a você e tudo continuará me levando a você.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Acho que um dia posso enlouquecer. A loucura me parece uma consequência quase inerente a uma existência quase que fundamentada pela busca dos sentidos que já foram ou ainda estão esperando para serem descobertos. 
Ora, eu creio que no fundo nem tudo tem uma explicação, mas essa afirmação me soa mais como desafio do que consolo.
Então a cada inquietação meu corpo entra em tensão e perturbado pula nas águas profundas como se buscasse no fundo do oceano respostas de todas minhas perguntas.
Mas aí você me apareceu. De início pareceu um reflexo, uma ilusão, que aos poucos foi ficando nítido. Eu não sei de onde, não sei quando, não sei como. Mas você veio. Talvez da superfície, me estendendo a mão e me convidando a respirar (inspirar e expirar). E desde então não consigo desviar meus olhos de você pelo puro prazer que isso faz a eles e ao meu coração. Coração que é sim um órgão, mas que no sentido figurado e totalmente abstrato abriga minhas emoções novas ou resignificadas tendo somente você como premissa e referência.
Eu tenho meus motivos, claro, uma vez que fazer análises e montar argumentos é um caminho quase que sem volta para os que já se iniciaram de alguma forma nas ciências. Mas o cerne da questão é que eu deixo de lado todas minhas teorias, perguntas e questionamentos para te olhar, te sentir, te tocar. Eu aceito, eu vivo, eu agradeço a soberania divina por ter feito nossos caminhos se cruzarem. Nada mais importa quando você me abraça e assim acalma minha mente ansiosa que fica serena ao encontrar seu corpo.  
Mas, se mesmo assim, a loucura um dia chegar a mim, se ela bater a porta, se eu for obrigada a mergulhar de cabeça nela, você poderia me acompanhar? Porque, desculpas, mas não posso me imaginar sem você em qualquer coisa que for me acontecer.

/ loucura é ficar sem você

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Dada a inclinação da Terra, por um fenômeno astronômico raro, há meses só era noite em meu quarto. Eu gostei, me acostumei e estava bem com isso. Via como natural: a vida se consiste por fases. O que não espera eram os fechos de luz que, através de pequenas frestas da minha janela, timidamente começaram a entrar em meu ambiente reservado. Isso não me causou náuseas, raiva ou mau humor. Nem fez meus olhos arderem ou se fecharem. Apenas me causou curiosidade até que, em um processo razoável de tempo, me senti confortável em aos poucos abrir a janela para descobrir o que se escondia do lado de fora. Como se a luz quisesse ser gentil, não entrou bruscamente sobre meu quarto sombrio. Como se soubesse lidar comigo, esperou. Respirei e senti que com a claridade também vinha a brisa. E numa ânsia e súbita paixão desejei ser invadida em cada parte do meu corpo pelo brilho que combinou tão bem com minha pele agora aquecida, como se eu tivesse passado a morar em um abraço.

/ Loukanós