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quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Sobre ir 2

Um dia eu vou, porque não há nenhuma nenhuma teoria que me impeça de ir. Um dia eu vou porque não há metafísica que me segure. Um dia eu vou porque nada de empírico me prenderia. Um dia eu vou porque nada psicológico me convence de ficar. Um dia eu vou porque a literatura não há. Um dia eu vou porque o romantismo pode acabar. Um dia eu vou, porque as coisas mudam. Um dia eu vou, mesmo que as coisas não mudem. Um dia eu vou, porque você não tentaria me segurar. Um dia eu vou, porque você não iria me acompanhar.

Sobre ir 1

Eu sou a que sempre quer ir.
Se eu for, ou se você ir, se eu for sua bagagem, se você for a minha, tudo o que importa é sua companhia.
Eu quero fugir, eu quero explorar, quero me aventurar, quero te descobrir por inteiro.
Não importa o lugar, o clima, as pessoas, desde que você esteja lá.
Se tiver teto, se tiver cama, o único lugar que quero morar é nos seus braços.
Se for pra acertar, se for pra errar, que seja com você.
O que eu for ver, o que você for sentir, que você seja meus olhos e eu a sua pele.
Eu não sei se estava esperando, se você passou a ser uma demanda, o que eu sei é que sinto coisas que não imaginava, que você me supre no que eu nem sabia que faltava.
Eu nem chego a precisar e você já está aqui me mostrando pelo coração o caminho sem volta que é te conhecer.
Como eu amo o conhecimento! Como eu amo a sensibilidade e a capacidade humana para o amor!
Eu sou a que sempre quer ir desde que seja com você.

terça-feira, 19 de setembro de 2017


E se eu fosse o seu cigarro
e você me deixasse encostar em sua boca
sentir o seu hálito, te sentir me sugando,
me molhando com sua saliva
e se assim você me levasse para te conhecer
no seu mais interior possível
e eu te visse totalmente pelo avesso
mexesse com o seu organismo
penetrasse em suas veias

E se eu sou seu cigarro
aquele que você fuma rapidinho
antes de entrar no ônibus
que você toca com a boca
e nem se dá conta
e já me joga no chão
me amassa, me pisa
já pensando em quando pegará outro
até acabar o maço
corre para comprar outro

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Tua doce voz me chama pelo nome
Diz que eu sou a mulher dos seus sonhos
Eu toda encantada e derretida respondo
Eu quem tive tanta sorte

Teu hálito quente me convida a experimentar
Igual o seu sabor não há
Quero saber o que mais tem por aí
E para descobrir eu espero até o fim

Tua pele macia me toca e me abraça
Já fiz dela a minha casa
Seus braços me dão proteção
E eu te estendo a minha mão

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Me faz parar
Me faz parar de pensar
Me faz parar de pensar agora

Só quero sentir
Só quero te sentir

O mundo já me faz pensar
Pensar demais
Não quero mais
Me faz sentir

Insegurança demais
Me segura mais
Tira de mim o peso
Só coloca o teu peso

Não quero nada na minha cabeça
Não quero nenhuma ideia entrando
Quero só você adentrando
Por toda a parte

Quero sentir
Você
O seu corpo
No meu corpo
O meu corpo
O que você provocar

Que nada lá fora perturbe
Que não haja lá fora
Que só tenha o interior
Você no mais interior

Sua pele
Seu hálito
Seu cheiro
Que você seja tudo o que eu sinta
De baixo para cima

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Eu gosto do sol, da luz, do calor. De me sentir aquecida no frio. De um banho quente após a chuva. De secar os cabelos para dormir. De como você me abraça. De como me aquece e me faz transpirar. De quando a sua mão quente toca a minha pele descoberta. De como nossos suores se misturam. De como você dirige a minha cintura. De como me faz desarmar e me leva a loucura. Nesse balanço me sinto tonta, mas seu corpo serve como suporte e não me deixa me perder. Seus braços me enlaçam e dão nó, prendem-nos ainda mais um ao outro. Nossas mãos não se desgrudam nem por um segundo, a não ser quando escapam e percorrem o corpo alheio em busca de tocar cada poro do outro. Matamos assim toda a distância que nos separa e quase nos tornamos um só. Não tenho medo do futuro, porque sei que você estará lá, cada vez mais perto, cada vez mais em mim. 

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Deixei esse poema de lado, descansando, crescendo, conforme o seu tempo. Adubando, respirando, fazendo fotossíntese, criando sua linguagem. Digerindo-se, encontrando-se, perdendo-se, se necessário. Eu não o esqueci, mas o deixei tomar sua forma por si só. Dei espaço, dei tempo, dei autonomia. Quando me dei conta já tinha criado pés, mãos, braços e pernas. Já não tem versos, já não tem rima, não sei mais o que é. Formou seu próprio rosto, sua própria identidade, seu próprio corpo. Tem gírias, tem cheiros, tem dentes que me mastigam e me devoram, mas não me digerem e me fazem voltar. Me rumina, me domina. Me coloca onde bem entender, faz de mim o que quiser. Não sei se sou vítima, se sou culpada, se sou estúpida, mas fico porque quero. Ou porque ele me faz querer ficar.